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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

THE RAID, de Gareth Evans

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Fui, provavelmente, o último aficionado de histórias com pancada a ver os dois filmes que Gareth Evans conseguiu fazer com a meia dúzia de trocos que tinham ficado esquecidos no bolso de trás das calças. Pronto, no caso do segundo filme não foi exactamente assim, muito à custa do sucesso do primeiro. Vamos por partes.

 

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Em The Raid: Redemption, filme lançado em 2011, Rama é um policia novato que entra num edifício decrépito e infernal, onde o submundo da droga distorceu há muito as mais nobres regras sociais e regressou à primordial lei do mais forte. Na segunda parte desta história, estreada em 2014, (The Raid 2: Berandal), Gareth Evans utilizou com astúcia um orçamento mais recheado e conseguiu que, a sua sequela, superasse a qualidade do seu primeiro filme (coisa rara em cinema). Com uma longa metragem mais musculada, ambiciosa e complexa, Rama volta a ser o protagonista de uma missão (quase) impossível, um hitman disposto a tudo para desmantelar um cartel que controla a distribuição da droga nas ruas de Jacarta.

 

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Porque vale a pena ver The Raid? Porque, infelizmente, não é todos os dias que um filme de acção consegue ser mais do que meia dúzia de calmeirões a distribuir fruta. Gareth Evans escreve não só um argumento inteligente, como complementa a sua história com cenas de ação muito bem trabalhadas, conseguindo um equilibrio sempre dificil entre aquilo que é essencial para adornar o espetáculo da acção, com aquilo que é perfeitamente gratuito e dispensável. Definitivamente Evans sabe aquilo que está a fazer. Em 2018 deverá chegar o terceiro filme da saga.

TAXI, de Jafar Panahi

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Limitations often inspire filmmakers to storytellers to make better work, but sometimes those limitations can be so suffocating they destroy a project and often damage the soul of the artist. Instead of allowing his spirit to be crushed and giving up, instead of allowing himself to be filled with anger and frustration, Jafar Panahi created a love letter to cinema. His film is filled with love for his art, his community, his country and his audience

 

Darren Aronofsky, in Berlin Film Festival 2015

SPRING, SUMMER, FALL, WINTER... AND SPRING (2003)



Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring ("Bom yeoreum gaeul gyeoul geurigo bom") é a obra-prima de Ki-duk Kim, realizador de Bin-Jip.


Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring é um filme soberbo, uma criação totalmente feita a pensar no espectador. Dirigindo-se aos sentimentos e emoções que uma película inteligente e prespicaz consegue produzir em quem a observa, o grande segredo deste filme está na introspecção a que remete cada um de nós, transformando-o numa experiência ímpar.


Tal como aconteceu com Bin-Jip, a minha crónica será breve. Toda a história se desenvolve ao longo das várias fases da vida de um velho monge que vive isolado num remoto lago da Coreia do Sul. Consigo, vive uma jovem criança a quem este explica os ensinamentos da sua religião, treinando-o e preparando-o para, um dia, ocupar o seu lugar. Uma preparação cimentada numa amizade e compaixão comoventes, que terá que sobreviver aos diversos percalços e obstáculos que aparecem durante a vida de ambos.


As metáforas criadas por Ki-duk Kim (que realiza, escreve e protagoniza o filme) fortalecem uma narrativa feita para intrigar e comover o espectador. Uma lição de vida, em jeito de obra-prima. Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring é mais uma pérola do oriente.

Nota Final:
A-



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Ki-duk Kim
Argumento:
Ki-duk Kim
Ano: 2003
Duração:
103 minutos

BIN-JIP (2004)


"It is hard to tell that the world we live in is either reality or a dream."

Bin-Jip é uma comovente história sobre um amor proibido entre uma submissa e oprimida esposa e um carteiro solitário, cuja especialidade é entrar em casas temporariamente vazias dos seus proprietários, e aproveitar o conforto de um lar que não é seu. Poucas são as palavras em Bin-Jip, pois o verdadeiro amor é aquele que se transmite com uma troca de olhares, com um gesto sincero e carinhoso e que precisa de poucas palavras para se fortalecer. Bin-Jip merece ser visto. Porque ninguém consegue dizer "não" a uma excelente história de amor.

Nota Final:
A-

Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Ki-duk Kim
Argumento: Ki-duk Kim
Ano: 2004
Duração: 88 minutos

AKMAREUL BOATDA/I SAW THE DEVIL (2010)



"Your nightmare is only getting worse."


Se o leitor é fan de OldBoy (para muitos o grande filme asiático dos últimos anos), vai adorar I Saw the Devil. Se gostou de Min-sik Choi em OldBoy, vai venerar Min-sik Choi em I Saw the Devil. I Saw the Devil é um orgasmo cinematográfico, é o grande thriller de 2010!


A minha devoção pelo cinema asiático resulta de filmes como este, de argumentos como este, de personagens como as deste filme. Não há, para mim, ninguém melhor a nível do cinema dramático (e aqui incluo os thrillers impiedosos com as cenas que muitos se recusam a mostrar). Nenhuma área do planeta produz tanto cinema com tanta qualidade. I Saw the Devil é o ponto alto do Cinema Asiático nos últimos anos e tudo aquilo que o cinema deve ser.

Como escrevi ontem, são obras de arte como esta que marcam momentos do cinema, que engrandecem a arte de fazer um filme e lhe dão o merecido valor. Não ver I Saw The Devil é ignorar uma parte importante do cinema do século XXI. Um filme que me encheu as medidas e me deixou rendido, às qualidades de Min-sik Choi, Hoon-jung Park e Jee-woon Kim.


Kyung-Chul
(Min-sik Choi) é um psicopata que tem como principal divertimento, sequestrar, violar e mutilar jovens mulheres. Um cruel assassino, sem pudores, sem qualquer ressentimento, que mata sem piedade, mas que a dada altura escolhe a presa errada: Joo-yeon, esposa de Soo-Hyun (Byung-hun Lee) um polícia de topo que, arrasado pela dor da s
ua perda, jura vingança e inicia uma busca incansável ao responsável pela morte do seu amor.


Num filme americano, estaríamos tratados: O polícia ferido perseguiria o psicopata e numa heróica e memorável batalha final, o polícia (que seria um irresistível sex-symbol de Hollywood) sairia vitorioso e honraria para sempre a alma da sua esposa. Em I Saw the Devil, tudo isto se despacha em pouco mais de quarenta minutos. A grande fatia do delicioso bolo que é este filme, corresponde àquilo em que os asiáticos fazem a diferença: quase 1h30 de filme, em que Soo-Hyun não se limita a perseguir Kyung-Chul. Soo-Hyun quer ver Kyung-Chul sofrer todos os segundos dos últimos dias da sua vida. E fá-lo com uma classe digna dos mais frios e calculistas assassinos da cinema.


I Saw the Devil
merece ser visto, admirado, digerido e, acima de tudo, compreendido. É um filme duro, tocante, fortíssimo e que certamente provocará desconforto entre os mais sensíveis. Eu assumo a responsabilidade da nota que lhe atribuo e sei que o faço de consciência perfeitamente tranquila. I Saw the Devil é uma obra-prima. É um exemplo perfeito daquilo que os asiáticos sabem fazer. É perfeito.

Nota Final:
A


Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Jee-woon Kim
Argumento: Hoon-jung Park
Ano:
2010
Duração: 141 minutos

THE MAN FROM NOWHERE (2010)



O prazer de escrever sobre um grande filme é fantástico. O gozo de escolher as melhores palavras, de tentar não esquecer nenhum pormenor. Felizmente, depois da desilusão que Hereafter me deu ontem à noite, hoje pude recuperar o ânimo com um grande filme. E felizmente, desta vez acertei.

Já há algum tempo que The Man from Nowhere me intrigava. Em primeiro lugar, a sua capa. Em segundo lugar, a sua origem (Continuo a acreditar que, no drama puro e duro, ninguém é melhor do que os asiáticos. Nem existe comparação possível, sequer.). Em terceiro lugar, esta imagem:


Há imagens que valem mais do que umas quantas palavras e, neste caso particular, quase que conseguimos um resumo perfeito daquilo que é The Man from Nowhere: A história de um homem letal, ferido no seu orgulho, à procura de vingança. Um homem que faz justiça pelas próprias mãos, sem receio das consequências. E a sua pose nesta imagem é o espelho daquilo que Tae-Sik Cha (Bin Won) personifica durante todo o filme, da intensidade da sua personagem, do carisma que conseguiu colocar em toda a história.


The Man from Nowhere, um filme sobre o tráfico de droga e órgãos no Coreia do Sul, é quase que uma resposta que a Ásia dá ao muito bem sucedido "Taken" que em 2008 surpreendeu muitos dos fans dos thrillers de acção. Neste caso, Tae-Sik Cha é um agente dos serviços secretos, reformado desde o assassínio da sua mulher, que sofre em silêncio a sua ausência, trabalhando numa loja de penhoras. Com o passar dos anos afeiçoa-se a So Mi, uma jovem rapariga de oito anos, filha de uma prostituta que vive ao lado da sua loja.


Quando So Mi e a sua mãe são raptadas pelo bando dos irmãos Man-Sik e Jong-Suk, Tae-Sik Cha mostra as suas garras. Numa luta incansável contra um verdadeiro império de armas e assassinos sem escrúpulos, Tae-Sik Cha foge da polícia ao mesmo tempo que persegue os responsáveis pelo rapto das suas vizinhas.


Um thriller de cortar a respiração, intenso, cruel e dramático. The Man from Nowhere é tudo aquilo que eu venero no cinema asiático. Um filme obrigatório, que fará as delicias de admiradores e simpatizantes do cinema do oriente. E não só!

Nota Final:
B+


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Jeong-beom Lee
Argumento: Jeong-beom Lee
Ano: 2010
Duração: 119 minutos

BOKSUNEUN NAUI GEOT (2002)



Sympathy for Mr. Vengeance é uma filme para gente crescida. É um filme para se ver com os olhos bem abertos, absorver as cenas e sentir todas as acções. É daqueles filmes em que o realizador não se coibe nas emoções e nos mostra tudo, sem receios de ferir os mais susceptíveis.

Escrito e realizado pelo genial Chan-wook Park, criador do "insanely" Old Boy, vem muito na linha deste filme, havendo mesmo a teoria de que Sympathy for Mr. Vengeance, Old Boy e Lady Vengeance estão relacionados entre si, com ideias em comum e existindo uma determinada ordem de visualização que nos permite perceber melhor as ideias de Chan-wook Park. (Uma espécie de ligação especial como a que Iñárritu fez em Amores Perros, 21 Grams e Babel).


Sympathy for Mr. Vengeance
é, como o próprio nome o indica, um filme sobre vingança.

Ryu
é surdo e mudo. Trabalha numa empresa que lida com o carvão, recebe um salario baixo e tem uma irmã que necessita urgentemente de um rim. Despedido da fábrica e sem capacidade para encontrar um dador compatível para o problema da irmã, decide contactar uma médica que, ilegalmente, compra rins. Faz um acordo com esta e acerta que, após lhe retirarem um rim (uma vez que o dinheiro que Ryu tem não chega para pagar um), lhe darão um rim para a irmã. É traído e acorda nu, sozinho e com menos um rim.


Vira então as suas atenções para o seu antigo patrão, Park Dong-jin, pai de uma amorosa menina de quatro anos chamada Yu-sun. Com a ajuda da sua amiga Cha Yeong-mi (fervorosa activista de esquerda), conseguem raptar a rapariga, com o objectivo de exigir um resgate que pague a sua libertação. Sem objectivo de lhe fazer mal, criam com ela uma amizade feliz.


Mas, eis que algo corre mal. A irmã de Ryu descobre que este havia raptado a filha do seu patrão e, não conseguindo aceitar que este tivesse feito algo tão odioso para a salvar, decide pôr termo à vida. Mas as contrariedades não ficam por aqui. Enquanto Ryu aconchegava a sua irmã entre as pedras à beira-rio (local escolhido para a sepultar), Yu-sun cai ao rio e morre afogada. E eis que todo o plano de Ryu se altera por completo. O que antes parecia simples, lógico e previsível, está agora a fugir por completo a Ryu e Yeong-mi. Mudanças que terão consequências graves e trágicas para ambos.


Chan-wook Park é um realizador bestial, um criador que merece ser adorado e admirado por muitos e que não deixa os créditos em mãos alheias com este filme. Merece, sem dúvida, toda a vossa atenção!


Nota Final: B+


Trailer:



Informação Adicional:

Realização: Chan-wook Park
Argumento: Chan-wook Park
Ano: 2002
Duração: 129 minutos


NOBODY KNOWS (2004)


Dare mo shiranai, com o titulo internacional de Nobody Knows, é (mais) uma obra-prima vinda do Oriente. É muito bom e recomendo-vos vivamente a verem-no! O filme é todo ele contado como se de uma metáfora se tratasse, representando aquilo que é o degredo da raça humano e a completa ausência de valores para com os próprios filhos.
Baseado em factos reais, toda a história se desenrola na cidade de Tokyo. Começamos por ver Keiko, mãe de Akira Fukushima, um rapaz de doze anos bem-parecido e educado, que alugamum pequeno apartamento T1 para, supostamente, viver com o seu filho. É esse o acordo feito com o senhorio, que não aceita nos seus apartamentos ninguém com menos de 10 anos.
Após se instalarem, são abertas as malas e desvendadas mais duas personagens da nossa história, ambos irmãos de Akira: Shigeru, um rapaz de oito anos com ligeir os problemas mentais (pelo menos, aparenta-os) e Yuki, uma menina amorosa de quatro ou cinco anos. Pouco tempo depois, ainda no mesmo dia, Akira vai até às redondezas da casa buscar Ky oko, de dez anos, também ela sua irmã e que rapidamente o segue até ao novo apartamento.
Com o tempo, são nos reveladas as ideias do filme: Keiko, a mãe, é solteira e os seus filhos têm todos pais diferentes. É uma mulher com muitos relacionamentos fugazes e que sente que tem que aproveitar a sua vida, independentemente das necessidades dos filhos. Como o seu ordenado não chega para pagar um apartamento mai or nem os estudos dos filhos, delega em Akira a responsabilidade de cuidar dos três irmãos durante o dia, enquanto vai trabalhar, deixando-os sozinhos no apartamento, sem poderem ir até à escola ou à própria varanda do apartamento. É uma vida de clausura, de sofrimento mudo onde a principal vítima é Akira, que tem de suportar todos os problemas e dificuldades, não só da mãe como dos próprios irmãos. É demasiada responsabilidade para um pequeno rapaz de 12 anos.
Até ao dia em que aquilo que já era mau, se torna horrível. Numa manhã, e depois de algumas ausências prolongadas de vários dias com um novo namorado, Keiko faz a mala e avisa Akiro que estará fora por algum tempo. Passa o Natal, passa o Ano Novo, passa o aniversário de Yuki. Passam meses, e Keiko não regressa. Deixam de ter notícias da mãe e, pior do que isso, deixam de ter dinheiro, comida, água, luz. As condições são extremas e a crueldade de cada cena, grotesca.
Um filme de sofrimento, dor, comoção e emoções muito fortes, em que nos deparamos com uma realidade que, embora diariamente nos passe ao lado, está cada vez mais presente numa sociedade em crise, de extremos cada vez mais distantes, em que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. É o colocar de parte valores primários, em troca de um egoísmo atroz e desumano. E o pior de tudo isto é sabermos que é real.


Nota Final: A-
Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Hirokazu Koreeda
Argumento: Hirokazu Koreeda
Ano: 2004
Duração: 141 minutos

Takeshi Kitano - KIKUJIRO (1999)



Mais uma obra-de-arte. Cada vez mais me convenço que um filme de Takeshi Kitano é sempre um filme marcante, único e incomparável.

Em Kikujiro somos confrontados com uma realidade distinta das relatadas nos dois filmes anteriores sobre os quais vos falei. Takeshi Kitano volta a realizar, escrever e protagonizar mais uma grande história, real e habitual, que aos olhos de muito certamente passará completamente despercebida.


Como já antes referi, Takeshi Kitano é um realizador sem preconceitos, sem falinhas mansas, sem floreados ou rodeios. Não nos conta histórias da carochinha e leva muito a sério o seu espectador. É um realizador que não gosta de perder nem de fazer perder tempo. E em Kikujiro temos mais uma boa prova disso.

O filme conta-nos a história de Masao, um rapaz que vive em Tokyo com a avó. Abandonado pela mãe (que acredita te-lo abandonado para lhe dar uma vida melhor) e órfão do seu pai, vê todos os seus colegas partirem em família para as tão aguardadas férias de verão. É na monotonia dos seus primeiros dias de férias, que decide aproveitar para visitar a sua mãe (que nunca viu a não ser apenas em fotos) em Toyohashi.


Ainda na cidade de Tokyo, e enquanto está a ser assaltado por um grupo de adolescentes, é ajudado por Kikujiro (Takeshi Kitano) e pela sua Mulher (um casal muito amigo da sua avó), que lhe devolvem o dinheiro que lhe iria ser roubado. Ao sabere dos planos do menino, a Sra. Kikujiro obriga o seu marido a acompanhar o rapaz nesta enorme e difícil jornada. Com cinquenta mil yenes partem para uma viagem que tem tudo para não correr como o esperado.

Kikujiro é uma criança em ponto grande, um homem que facilmente se deixa levar pela tentação dos seus vícios. Rapidamente perde todos os yenes que lhe haviam sido entregues pela mulher para os custos da viagem, em ridículas apostas de corridas de ciclistas. Alheio a todo este tipo de contrariedades, Masao segue sempre alegre, não deixando de sonhar com o dia em que verá a sua mãe. Numa espécie de Road-Trip de quem sabe fazer filmes, Takeshi Kitano vai-nos confrontando com algumas surpresas, principalmente no que toca à controversa personagem que desempenha neste filme.



Mais uma vez com uma banda-sonora constituída praticamente por uma única música, que vos aconselho vivamente a ouvir, somos embalados pelo som dos violinos que marcam os momentos mais intensos deste filme. Acho que a escolha é acertada e que é a forma ideal de ter o espectador sempre atento e em sintonía com o filme. Com Takeshi Kitano percebi que, uma banda sonora de uma única melodia, resulta, na grande maioria das vezes, muito melhor do que um conjunto de músicas quase sem relação com a história do filme. Quanto à banda-sonora, volto a atribuir A.


Nota Final: B+

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1999
Duração: 121 minutos

Takeshi Kitano - FIREWORKS (1997)


E em Fireworks, Takeshi Kitano "mostrou as suas garras"! Que filmaço! Desde a intensidade de todas as cenas até pose do próprio Takeshi Kitano (que escreve, realiza e actua como principal personagem) que se caracteriza por se expressar, quase sempre, por pequenos monossílabos imperceptíveis, escondendo um misterioso olhar por detrás dos seus óculos escuros.


Fireworks é um filme que ocorre, durante todo o tempo, em dois espaços temporais distintos que se misturam e envolvem, exigindo a atenção do espectador. No mais antigo, Yoshitaka Nishi (Takeshi Kitano) é parceiro de Horibe (Ren Ohsugi) e ambos são polícias distintos e admirados. Até que Horibe se envolve numa cena de tiroteio e fica paraplégico. Aí, somos transportados para o outro espaço temporal. Neste, ao qual podemos chamar de presente, Nishi já não é polícia e vive para a sua mulher tentando dar alguma luz à vida da mesma, a qual está em grande risco devido a uma doença terminal. Horibe, antes homem de família, é agora um homem abandonado e Nishi, com sentimentos de culpa vai dando-lhe uma mão e tentanto que a sua vida melhore.


Takeshi Kitano percebe os dramas sociais de uma forma tocante e expressa as suas ideias sem rodeios, com uma frieza e uma clarividência que deixam o espectador completamente sentido com os problemas das suas personagens e solidário com as suas dificuldades. Gostei imenso de Fireworks, um drama policial que tantas vezes se repete por esse mundo fora, onde os intervenientes são anónimos que sofrem e lutam em silêncio.


Nota Final: A-

Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1997
Duração: 103 minutos.