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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

FORCE MAJEURE, de Ruben Östlund

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A culpa é um dos sentimentos mais complexos e desafiantes do cinema. Quem viu The Machinist (a obra onde Brad Anderson levou Christian Bale ao limite) facilmente percebe que, para se ser bem sucedido, a atmosfera claustrofóbica tem de saltar do ecrã e infetar o subconsciente do espectador. Ruben Östlund conseguiu fazê-lo. No cenário dos Alpes franceses, uma família sueca em férias debate-se com uma inesperada crise familiar. A dada altura o pai Tomas amaldiçoa o seu subconsciente, a sua reação impulsiva. Force Majeure é um exercício de reflexão que nos acompanha muito para lá das suas duas horas.

Mil e Uma Noites: O Inquieto, de Miguel Gomes

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É com pena que vejo este filme passar ao lado de Portugal.

É com pena que vejo que um filme como o Pátio das Cantigas eclipsa uma obra-prima do cinema português (o tempo tratará de dar o devido reconhecimento à omelete que Miguel Gomes conseguiu fazer sem ovos) como o Mil e Um Noites. Não se trata de menosprezar a galinha de ovos de ouro que Leonel Vieira descobriu - só o vê quem quer, só apoia o cinema baseado na reciclagem de titulos centenários quem quer. Aliás, a ideia é tão vencedora que se vai replicar em mais meia-dúzia de obras para encher a barriga de quem gostou da fórmula inicial. 

 

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O que mais me custa é que 8 em cada 10 portugueses (isto é uma estatística totalmente aleatória, baseada num censos feito por mim a pessoas que encontrei por aí) olharão para o título Mil e Uma Noites, para as 6 horas de filme e para o nome de Miguel Gomes e acabarão por desistir com a justificação, clássica, de se tratar de uma coisa para intelectuais.

 

Meus caros - estão redondamente enganados.

 

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Que se recusem a ver o Tabu até aceito (embora o faça com pena de quem não se digna a ler a sinopse ou a aguentar os dois minutos do trailer que estão no youtube) - é um filme a preto e branco, sobre o tempo colonial "e isso já não interessa". Mas em Mil e Uma Noites aquilo que vemos é um esforço nobre, valente e ousado de gritar aos sete ventos aquilo em que nos transformaram, aquilo em que nos deixámos transformar - o canto esquecido em que acabámos. Composto por um conjunto de quatro histórias bem-dispostas, que nos forçam a encarar com um sorriso as agruras do presente, as duas horas de O Inquieto, a primeira parte de Mil e Uma Noites, convencem o público a regressar - Dia 24 de Setembro estreará O Desolado e a 1 de Outubro a trilogia encerra-se com O Encantado.

 

Vão vê-lo, por favor. Porque é nosso, é sobre nós e está muito bem feito.

FEHÉR ISTEN, de Kornél Mundruczó

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Podia ter colocado o título internacional. Mas assim só lê quem está mesmo com vontade de conhecer um dos filmes que mais impressionou Cannes no ano passado. Habitualmente, os filmes sobre/com cães só têm dois finais possíveis: ou o cão morre ou o cão vive. Em ambas, o público chora.

 

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No entanto, o filme de Mundruczó é mais do que isso. Consegue que o espectador se sente de costas direitas na cadeira do cinema. Faz nascer, dentro da cabeça do espectador, uma interrogação, um "espera lá...". Somos uma raça habituada a chegar, ver e vencer. A definir as regras do jogo. E a nossa prepotência é, para nós, um dado adquirido. Está tão enraizada e é tão natural que, quando alguém decide alterar as regras do jogo, chocamo-nos perante tamanha ousadia. É com estas ideias preconcebidas que Mundruczó transforma White God num filme vencedor.

 

Não peguem neste filme à espera que um Marley morra no fim. Isso é na porta ao lado.

MAD MAX: FURY ROAD, de George Miller

Como se tivesse corrido sem parar durante duas horas.

 

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É este o patamar para onde George Miller nos catapulta. Catapultar: é uma boa forma de explicar o verdadeiro roller coaster em que nos metemos quando decidimos entrar na sala de cinema para ver Mad Max. Está aqui um belo pedaço de arte. Conseguir que um filme acelere até aos 100km/hora em menos de 2 minutos para aí se manter durante os 118 minutos que se seguem é uma façanha que merece o respeito do público. Ver Mad Max é como entrar num pesadelo muito muito muito sombrio, estar sufocado num mundo onde o caos se instalou, onde a gestão dos recursos naturais comanda as milícias fortemente armadas e onde os misfits pagam com a vida a impertinência da sua coragem. E pagamos com emoção, suor e desconforto todo o suspense que Mad Max tem para nos oferecer. A cadeira é um espaço demasiado constrangedor, que limita o nosso entusiasmo.

 

Merecia ser visto no ecrã gigante de um estádio de futebol, de pé, com várias cervejas na mão. Até porque pelo meio mete um Tom Hardy e um Nicholas Hoult a darem tudo.

O Azul é a cor mais quente



O vencedor da Palme d'Or deste último Festival de Cannes, "Blue is the Warmest Color", de título original "La vie d'Adèle - Chapitres 1 & 2", de Abdellatif Kechiche e protagonizado por Léa Seydoux e Adele Exarchopoulos, ganha o seu primeiro trailer internacional.



Penso que basta a menção de "vencedor da Palma de Ouro" para ser presença obrigatória nos filmes a ver deste ano. Se ainda não consta, devia constar. Deve chegar até nós via Lisbon & Estoril Film Festival. Abre nos mercados americanos a 25 de Outubro. 

"All is Lost", aclamado em Cannes, ganha primeiro trailer




Novo "Life of Pi" ou novo "The Grey"? De qualquer forma, o meu bilhete já está comprado. 


Parece que entregaram ao Robert Redford o papel de uma vida. E vá, o "Margin Call" não é nada mau para primeiro filme do J.C. Chandor. Espero que as críticas excelentes de Cannes sejam bom indício.

12 anos depois, Baz volta a abrir Cannes



Há doze anos, "Moulin Rouge!" abria então a secção competitiva do Festival de Cannes de 2001. Depois de críticas mornas, estreou nos Estados Unidos com maior entusiasmo e construiu a sua base de fãs para conquistar oito nomeações aos Óscares, vencendo duas estatuetas.


É bom ver então Baz Luhrmann de volta ao certame francês uma dúzia de anos depois para apresentar o seu novo filme, "The Great Gatsby", que tem incitado grande expectativa (afinal, é a adaptação de uma das maiores obras literárias de sempre pelo realizador mais artístico e criativo do cinema moderno). Temo que o resultado final nunca agradará à crítica especializada que se desloca ao festival, mais dada a cinema de autor e ao triunfo do conteúdo sobre a apresentação - uma fina linha que Luhrmann nunca soube navegar, dado que os seus filmes são sempre melhores espectáculos audiovisuais do que propriamente excelentes narrativas - e "Gatsby" acabará por sofrer, tal qual como sofreu "Australia" (eu bem me lembro de como os críticos desfizeram a película - tudo bem, Luhrmann e a sua megalomania mereceram - e arrumaram com qualquer buzz que pudesse originar). Bem, para já, esperemos pelo melhor. 


Pelo menos, mais não seja, Cannes garante um filme de alto nível de prestígio para abrir o seu festival, com um rol de estrelas de Hollywood - DiCaprio, Mulligan, Maguire, Fisher, Edgerton - para abrilhantar a passadeira vermelha.