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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

BIRDMAN, de Alejandro González Iñárritu

Ainda ouço a contagiante e inebriante batida que marca o passo de Birdman. Uma bateria frenética que transborda as emoções das personagens, que nos coloca dentro do carrocel criado por Iñarritu para transportar para a grande tela o fernesim do teatro, o rebuliço das cenas, a troca constante de personagens e de sensações, o sobe e desce, os dias em que lutamos por mais, queremos mais e conseguimos mais.

 

 

Quando a câmara se liga em Birdman, não mais volta a parar. Está comprometida com a história, comprometida com Riggan (Michael Keaton) e com o seu sonho. Tal como Michael Keaton, Riggan é uma velha porcelana de Hollywood, eclipsada, ultrapassada e esquecida após a intrepertação de um super-herói no princípio da década de 90. Keaton foi Batman, Riggan foi Birdman. Uma personagem da qual nunca se conseguiu desfazer, que o acompanha e atormenta diariamente, que o inferioriza e reprime. Que o rotula. Que o incomoda. Que o deprime. Que o enloquece.

 

 

Ladeados de um excelente elenco, onde Edward Norton se destaca com uma eloquência e um carisma há muito perdidos, Iñarritu e Keaton inventam cinema. Keaton é assombroso, num déjà vu daquilo que vimos com Mickey Rourke em 2008 (terá sido, também para ele, um last goodbye?). Quanto a Iñarritu, depois de me ter oferecido o meu filme favorito de 2010, Biutiful, muitos anos após me ter surpreendido com a energia mágica de Amores Perros, volta a enfeiticar-me. É preciso ver Birdman para perceber o importante caminho que Iñarritu está a percorrer no cinema moderno. E é obrigatório fazê-lo numa grande sala.