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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

TAXI, de Jafar Panahi

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Limitations often inspire filmmakers to storytellers to make better work, but sometimes those limitations can be so suffocating they destroy a project and often damage the soul of the artist. Instead of allowing his spirit to be crushed and giving up, instead of allowing himself to be filled with anger and frustration, Jafar Panahi created a love letter to cinema. His film is filled with love for his art, his community, his country and his audience

 

Darren Aronofsky, in Berlin Film Festival 2015

INSIDE OUT, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen

Não sou adepto de filmes de animação. O último que vi foi o Wall-E sei lá há quantos anos. Mas o cartaz de cinema está uma bosta e até Outubro tudo o que vem à rede é peixe.

 

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Então lá me meti na sala de cinema para ver a versão original de Inside Out. Assim que a Amy Poehler começou a falar senti que as coisas podiam correr bem. E o argumento do filme é realmente vencedor, tanto para miúdos como para graúdos. Enquanto simplifica coisas tão naturais como os sentimentos ou as reações infantis, constrói um poderoso e complexo universo de pequenas criaturas, cada uma com o seu caderno de encargos sentimentais, que habitam no centro sistema nervoso das personagens.

 

Neste pequeno (grande) filme de bonecada há de tudo. Desde o mais primário dos sentimentos (o amor incondicional que nasce com uma criança) até às reações explosivas do principio da adolescência. E passa pela guerra dos sexos enquanto o desafia esterótipos. Tudo isto sem esquecer, claro, a qualidade técnica do filme - será que algum dia a Pixar vai parar de melhorar?

[COUCH] MR. ROBOT

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Estreia amanhã nos EUA e tem potencial para se transformar num dos grandes sucessos televisivos de 2015. Mr. Robot traz-nos Rami Malek (que conheci no maravilhoso Short Term 12) no papel de um hacker que, sob a orientação de Christian Slater (o anarquista Mr. Robot) vai utilizar os seus conhecimentos informáticos para destruir alguns dos mais poderosos e influentes gestores mundiais. Deixo-vos aqui um sneak peek do que aí vem.

 

 

JURASSIC WORLD, de Colin Trevorrow

ISTO É UM FILME COM DINOSSAUROS. *Spoiler Alert*

 

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Logo, não queiramos fazer deste filme aquilo que ele nunca quis ser. A malta que se senta na sala de cinema não se pode admirar que no final o Chris Pratt só tenha 2 arranhões. Não se pode chatear com o facto da Bryce Dallas Howard correr a 20km/h com sapatos altos pelo meio de terra molhada sem destruir os tornozelos. Não se pode sentir roubado no preço do bilhete quando a Bryce Dallas Howard não sabe a idade dos sobrinhos mas reconhece o casaco sujo de um dos garotos no meio da selva. Não se pode indignar quando os Raptors se deixam levar na conversa do Chris Pratt (afinal não são só as mulheres!).

 

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É um filme de dinossauros e a malta vai lá é para ver os dinossauros, com todos os clichés agarrados (desde o galã super-herói que fica com a jovem do decote transpirado, passando pelos comentários desnecessários de alguém demasiado empolgado na cadeira do lado, até aos maus da fita que acabam inevitavelmente a serem comidos por dinossauros). Não vale a pena procurar respostas, ensaiar argumentos ou remar contra a maré. Não vão chegar a lado nenhum. Jurassic World cumpre aquilo a que se propôs. E era isso que os garotos que se assustaram na década de 90 com o primeiro Jurassic Park queriam. 

MAD MAX: FURY ROAD, de George Miller

Como se tivesse corrido sem parar durante duas horas.

 

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É este o patamar para onde George Miller nos catapulta. Catapultar: é uma boa forma de explicar o verdadeiro roller coaster em que nos metemos quando decidimos entrar na sala de cinema para ver Mad Max. Está aqui um belo pedaço de arte. Conseguir que um filme acelere até aos 100km/hora em menos de 2 minutos para aí se manter durante os 118 minutos que se seguem é uma façanha que merece o respeito do público. Ver Mad Max é como entrar num pesadelo muito muito muito sombrio, estar sufocado num mundo onde o caos se instalou, onde a gestão dos recursos naturais comanda as milícias fortemente armadas e onde os misfits pagam com a vida a impertinência da sua coragem. E pagamos com emoção, suor e desconforto todo o suspense que Mad Max tem para nos oferecer. A cadeira é um espaço demasiado constrangedor, que limita o nosso entusiasmo.

 

Merecia ser visto no ecrã gigante de um estádio de futebol, de pé, com várias cervejas na mão. Até porque pelo meio mete um Tom Hardy e um Nicholas Hoult a darem tudo.

SELMA, de Ava DuVernay

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É bom quando não se complica aquilo que tem tudo para correr bem. E um filme com Martin Luther King, sobre as suas causas, que reconstrói um momento importante da sua longa e fatal caminhada, tem os ingredientes necessários para começar com o pé direito. Se o embalarmos com um groove muito característico do soul americano, continuamos no caminho certo.

 

Mas só isso não chega.

 

Precisamos de um actor à altura de um personagem tão nobre e carismático como o foi Martin Luther King. E David Oyelowo cumpriu com aquilo que lhe era exigido. Precisamos de trabalhar o argumento e torná-lo apetecível ao ponto de um obstáculo, no meio da longa caminhada pela igualdade dos direitos dos americanos de raça negra, fosse mais do que uma mera ponte. E a caneta de Paul Webb encontrou a câmara de Ava DuVernay para juntos darem forma a Selma. Um episódio incrível da luta dos negros e dos brancos que viram para lá da densa cortina do racismo. Que tiveram forças para ultrapassar barreiras nunca antes importunadas. Selma é uma bonita homenagem aos mais corajosos.