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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

BRITISH TV - SPACED


O British TV deixará de ser uma crónica mensal no Dial P for Popcorn. O tempo disponível já não é o de antigamente, o trabalho na faculdade aumentou e a disponibilidade para conhecer novas e admiráveis séries britânicas foi diminuindo. A isto, alia-se o facto de estar finalmente a dar alguma oportunidade a séries americanas (como, por exemplo, Breaking Bad) que me retiram tempo para a televisão britânica. Decidi, portanto, dar alguma liberdade a esta rubrica. Estará aqui no Dial P for Popcorn em situações mais pontuais, sem periodicidade, sem obrigatoriedade, quando eu descobrir algo que realmente me faça sentir extasiado, e que, no meu entender, seja digno de divulgação e reconhecimento globais.


A série de que hoje vos falo não me deixou particularmente entusiasmado. No entanto, reconheci-lhe qualidade, reconheci-lhe inovação e reconheci-lhe irreverência. SPACED foi a rampa de lançamento para um dos grandes nomes da comédia britânica na última década: Simon Pegg. Trata-se de um pequeno projecto, de apenas duas temporadas (num total de catorze episódios de trinta minutos), onde dois protagonistas partilham mais do que o próprio lar: partilham problemas, alegrias, angústias e vitórias. Tudo regado de um humor britânico clássico, negro, mordaz e corrosivo.


Tudo começa num pequeno café, onde Tim Bisley (Simon Pegg), um tremendo fan de banda desenhada, cruelmente rejeitado nas suas recentes relações amorosas e que vive uma vida pacata, envolto no seu mundo de vídeo-jogos e histórias de banda-desenhada, conhece Daisy Steiner (Jessica Hynes), uma depressiva jornalista e aspirante a colunista nas mais sofisticadas revistas femininas, que decide colocar um ponto final numa vida e relação falhadas. Num entusiasmo frenético, procura em vários jornais uma casa para habitar. Intrigado com a forma electrizante com que Daisy fala, gesticula e argumenta, Tim decide ajudá-la. Acabam a viver juntos, por conveniência, num modesto apartamento, onde misteriosos e intrigantes vizinhos os levam a experienciar situações que têm tanto de ridículo quanto de desnecessário.


Duas personagens totalmente dispares, sem nada em comum, numa mistura que, episódio após episódio, se vai tornando cada vez mais explosiva, revelando uma química improvável, entre dois seres que viviam distraidamente no seu próprio espaço. SPACED faz-se de rasgos, de motivações primárias de cada uma das personagens, que reinventam ocupações e problemas. SPACED representa uma nova geração que desperta, aos poucos, para os problemas de uma sociedade que se prepara para a viragem do século. Marcou a televisão britânica e, certamente, marcará o espectador que, tal como Tim e Daisy, experimentou uma revolução pessoal no fim dos anos 90.

INTOUCHABLES (2011)


Se eu tivesse oportunidade de reformular a minha lista com O Melhor de 2011, Intouchables teria certamente um lugar de destaque entre os meus favoritos. É daqueles filmes que derrete o coração dos que o vêem. É muito bem feito, é muito divertido e é muito original. Pensam vocês que esta é mais uma história de amigos improváveis (como o título português tão bem o definiu). Não é. A química entre os dois protagonistas é tão forte e tão genuína que nos faz esquecer que estamos perante uma história fictícia e que tudo não passa de uma adaptação ao cinema de uma história verídica e apaixonante.


Philippe (François Cluzet) é um homem com uma fortuna incalculável. No entanto, o que lhe sobra em dinheiro, falta-lhe em amor. Viúvo, vivendo uma tremenda angústia pela ausência do grande amor da sua vida, é completamente ignorado pela sua filha adoptiva, uma jovem adolescente, em plena crise existencial, com tiques de superioridade e manias de nova-rica. Paraplégico, profundamente dependente de outros, inicia um novo ciclo de entrevistas para a contratação de um novo assistente pessoal. Driss (Omar Sy) é um jovem divertido e irreverente. Depois de seis meses na prisão, vê-se obrigado a frequentar entrevistas de emprego para garantir um subsídio que lhe sustente o ócio. A sua genuinidade e um descaramento sinceros e sem maldade, convencem Philippe. Contrata-o (para um trabalho difícil de cuidado e atenção que exige uma dedicação vinte e quatro horas por dia), numa decisão muito polémica entre o corpo de funcionários que diariamente garantem o bem-estar do seu lar.


Rapidamente a alegria e a boa disposição de Driss conquistam o novo lar e, juntos, os dois companheiros vivem aventuras inesperadas e momentos de cumplicidade que se tornam completamente adoráveis. Intouchables é uma ode à amizade. É um filme que vale a pena ver com amigos e familiares. É um filme do qual tão cedo não me esquecerei. E, o mais engraçado (e incrível!) de tudo isto, é que se baseia numa história verídica, e nos relembra que não há limites para uma verdadeira amizade.

Nota Final:
A-



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Olivier Nakache, Eric Toledano
Argumento: Olivier Nakache, Eric Toledano
Ano: 2011
Duração: 112 minutos

THE HUNGER GAMES (2012)



Desde o início que olhei de lado, com desconfiança, para The Hunger Games. Li o primeiro livro da trilogia (fiquei sem qualquer curiosidade para ler os dois seguintes) e, assim que tive oportunidade, fui ao cinema ver o filme. Tudo isto porquê? Tudo porque The Hunger Games é baseado num dos meus filmes favoritos, num dos poucos filmes aos quais atribui, com orgulho, a nota máxima, um dos primeiros sobre os quais vos falei aqui no blogue: BATTLE ROYALE.


É óbvio que The Hunger Games, como gosto de o rotular, a versão americana de Battle Royale, é pior do que o filme asiático. Não conseguiria ser melhor. Mas, surpresa, o Filme consegue ser bastante mais consistente e interessante do que o Livro, que peca pelo excesso de pormenores, pelo arrastar de uma narrativa que se torna, na sua parte final, quase insuportável. O filme separa o trigo do joio, selecciona o que realmente interessa e aproveita, muito bem, o que de bom tem o livro. Reúne um conjunto de actores que atrai o público mais jovem, cria um ambiente bélico, onde a tensão se mistura com a paixão, e desenvolve gradualmente a trama que se alimenta de momentos de acção muito bem contextualizados, apresentados de forma cíclica e na dose certa para não agastar o espectador.


Como já leu, nas dezenas de crónicas que existem por aí, Hunger Games é um drama trágico, que junta jovens de cada um dos doze distritos do Capitólio, para um combate até à morte, em honra dos tempos difíceis do passado. É bem realizado, com uma boa fotografia e uma perspicaz edição. Mas, por mais elogios que lhe possa fazer, o desenlace final de toda a história é um tiro no pé. Já quando li o livro me tinha tirado do sério e, no cinema, voltou a fazer-me sentir desconsolado. No campo da acção e do drama trágico, são finais e desenlaces como o de The Hunger Games, que nos fazem perceber a diferença entre o Cinema Asiático e o Cinema Americano. Há algo em que os orientais são mestres. E trabalhar os sentimentos mais irracionais e primatas do ser humano é algo que não devia ser feito pela grande maioria dos Americanos. Porque não o sabem fazer e porque, quando o fazem, fazem-no mal. The Hunger Games foi uma tentativa fracassada. Não passou daí.


Nota Final:
B



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Gary Ross
Argumento: Suzanne Collins
Ano: 2012
Duração: 142 minutos

An Ode to one of the most amazing villains ever


 Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Fazemos sempre um duplo artigo, bilingue, com a versão inglesa em primeiro lugar e a tradução no português logo de seguida. O filme desta semana: SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARVES (1937), "O" clássico que basicamente define o legado de Walt Disney.

It had been more than ten years since I last watched "Snow White and the Seven Dwarves". When I popped the DVD into the DVD player, I assumed I'd be enchanted, sure, that I'd find this an hour and a half properly charming and delightful like I always do whenever I watch an old Disney movie, but it never occurred in my mind that I would end up liking the movie more than I used to like it back when I was a kid. Granted, I'm not - and I never was - this movie's target audience, given than it's a very feminine movie, a typically girly fairytale but still... It was so much fun! I especially didn't remember how clever and amusing Grumpy and the Evil Queen were!  The only thing that I remember that was the same as it ever was: Snow White and Prince Charming are total duds. Seriously. Nothing to cheer for there.


Nevertheless, the movie more than makes up for our investment in the story of Snow White, a beautiful princess whose father and mother passed away and whose stepmother is an evil hag who happens to have both ravishing beauty (on which she takes the greatest pride) and a terrible hatred towards Snow White (who becomes her stepmother's maid), because she fears one day she'll ask her Magic Mirror who's the fairest of them all and the Mirror will gladly tell her than her beauty has been surpassed by Snow White's. And so, evidently, one day that happens, the Evil Queen loses it and tells her Huntsman to kill the princess. As every single person in the universe knows, the Huntsman can't do it, Snow White runs into the woods and finds a new home with the Seven Dwarves. Evil Queen finds out, gets even crazier and in a deliciously wicked twist of events, decides to desguise herself as a peddler and hand Snow White a poisoned apple. I don't think you need further information on the plot since I'm sure everyone knows how this ends. "Someday my prince will come", et cetera, et cetera... It's a Disney fairytale after all.


Despite the story being this simple and, let's face it, kind of boring, Walt Disney and his fantastic group of animators worked wonders to enliven and improve the audience's experience. Smart choices like naming the Dwarves according to individual characteristics, making physical comedy with animals look easy, and even more than that, enormously funny and, most of all, creating a beautiful world which looks realistic and at the same time swoony and dreamy, which for an animated motion picture in 1937 that asks us to believe in fairytales, is in itself a gigantic feat. 

But Walt Disney didn't stop there. Nope. He created, within this movie, two of the most colourful, campy and larger-than-life characters that Disney has in their universe. I'm talking, of course, about Grumpy and the Evil Queen. Two big divas, with two giant egos and with brilliant, acerbic wit. 

 Like a boss.


The Evil Queen in particular is a fascinating character. Her line delivery is remarkable. Her face is magnificently evil. And her voice, icy and powerful, could slice a person in half. I love that Disney embraced how stereotypical and broad this character should be and allowed such a character to exist in a movie made for kids. The Evil Queen, as her name tells it, is supposed to be EVIL. And Evil she is. And bitchy. And harsh. And fierce. And the most pleasant thing of all: she flaunts it like a pro. She's cool and she knows it.




  She gives THE BEST bitchfaces!
 

My best shot:

In that awesome sequence in which the Evil Queen brews the potion that'll allow her to transform her appearance to look like an old lady (full of genius moments, take a bow Walt Disney!), the Evil Queen puts together an absurdly amusing list of ingredients ("an old hag's cackle", "a scream of fright") and then she delivers the ultimate punchline:

"A thunderbolt. To... mix it well".



Hilarious. And awesome. 

The movie? Feh. But the Evil Queen? Yeah, her magic still remains. Disney should make a movie about its villains. How cool would a movie that unites Ursula ("Little Mermaid"), Lady Tremaine ("Cinderella"), Evil Queen ("Snow White"), Maleficient ("Sleeping Beauty") and Cruella ("101 Dalmatians") be?
 

Ninho de Cucos (I)

Sendo esta a minha primeira intervenção aqui no blog, queria aproveitar para me imiscuir de continuar o trabalho do Axel Ferreira, tendo em conta que o convite que me foi feito, assim mo permite. Posto isto, comprometo-me apenas a expor uma série de baboseiras e ranhosices que um mero amador, bem menos descomprometido de tendências que o seu predecessor, como eu, tiver para partilhar sobre a Sétima Arte.


Bem, e como a inspiração não me auxilia nesta minha estreia, vou começar por recordar um artigo, encontrado no StumbleUpon há dias, em que era pedido aos seguidores para descreverem e publicarem as experiências cinematográficas/televisivas que mais os deixaram fisicamente enjoados. Deparei-me então com uma imponente lista de algumas das mais grotescas e intragáveis cenas da história do cinema, encabeçada por pequenos clips de vómitos, passando depois pelas tradicionais cenas de ingestão acidental de excrementos, e terminando numa género Fear Factor/Jackass, em que um indivíduo corta, e mistura num batido que posteriormente ingere, uma generosa porção de pêlos púbicos de um parceiro. Contudo, como estas, haveriam com certeza muitas mais que teriam ficado por contar por a sua sordidez se sobrepor ao bom senso das políticas do Youtube. Mas este tipo de entretenimento não é novo. Há séculos que a náusea assume o papel de sereia grega, com uma notável capacidade de seduzir o subconsciente e subjugá-lo a uma dependência transcendental. De facto esta revela-se uma arma poderosíssima para captar a perversa essência da nossa existência que de humana parece ter muito pouco. A dicotomia belo-horrível acaba por se revelar tão paradoxal e incompreensível como a do amor-ódio e qualquer mestre do cinema sabe que apelar ao estômago pode ser tão ou mais poderoso que apelar ao coração, pelo que há que saber apreciar, ou pelo menos reconhecer, o génio artístico de quem sabe provocar a náusea com mestria. Contudo o nojo é por vezes exageradamente aproveitado em filmes que se desligam do compromisso universal de contar uma história ou expor uma ideia, e que acabam por se tornar numa odisseia de obscenidades que motivam o seu visionamento pelo simples facto de serem chocantes. Ora isto não só vulgariza o trabalho final, como também o próprio género, o que leva à criação de obras vazias de sentido, sem substância!


Exemplo premente deste género é A Serbian Film, um filme tão intenso e repugnante que dá ideia que a sua realização terá resultado de uma aposta imprudentemente perdida. O protagonista da narrativa Milos, um ex-pornstar de renome, é seduzido a voltar ao activo para um último trabalho antes de voltar à reforma. No entanto, o trabalho para o qual é convidado acaba por estar bem distante do que quer que Milos (ou qualquer pessoa com escrúpulos) possa ter em mente, e dá azo a uma série de cenas de teor sexual extremamente audaciosas, que se revelam marcantes, não pela forma como são exibidas, mas essencialmente pelo contexto que as envolve e que lhes confere um sentido verdadeiramente aterrorizador. Na verdade o que é realmente marcante em A Serbian Film não é a sensação nauseabunda resultante da inexistência de critério ou bom senso na realização destas cenas, mas antes a conceptualização das mesmas, o que torna a sensação de repugnância não só visceral, mas acima de tudo psicológica. De certa forma há que reconhecer a originalidade num trabalho que consegue levar as coisas tão longe sem o deixar de contextualizar numa narrativa, mas que, por outro lado, dá a ideia de que a história serve apenas de pretexto à exibição de cenas cuja idealização é irresponsavelmente negligenciada, e acreditando pela quantidade de pessoas que são necessárias para se aprovar um projecto deste calibre, só um segredo mais impenetrável que o da Santíssima Trindade pode explicar como este hino à indigestão conseguiu chegar às salas de cinema de todo o planeta (se bem que na Noruega e no Brasil ainda há lápis azul a funcionar.)


Honestamente gostava de poder conseguir aconselhar alguém a ver A Serbian Film ou outro qualquer do género, como alguém impiedosamente mo fez, mas o sadismo não faz parte dos meus vícios e apesar de, obviamente, não condenar quem aprecie o género (cada um tem os seus gostos), não consigo deixar de os considerar uma fútil perda de tempo (mais fútil que ouvir Rihanna, ou ir para os copos com os amigos), com a justificação de que há maneiras bem mais interessantes e prazenteiras de satisfazer os sentidos.

Em suma, parece-me que com tanta boa ideia por aí, com tanto génio à procura do seu espaço, ser escusado ter Serbian Films a parasitarem o mundo do cinema, ainda que o ser humano seja dotado de uma insaciável sede por aquilo que mais o repugna, e como tal provavelmente nunca venham a deixar de ser feitos trabalhos destes, há ainda assim que saber ter critério, e da mesma forma que se evita uma música do Justin Bieber ou da Rebecca Black também se devem evitar filmes destes, sob pena de deixar o talento ser levado de vencido pelo exagero!

Gustavo Santos

DAFA TV 2011: Melhor Série - Drama


Finalizo os meus prémios com as nomeações - e vencedores - para MELHOR SÉRIE - DRAMA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011. 

Os meus nomeados são:

MELHOR SÉRIE - DRAMA:



"Breaking Bad"   #1
"Friday Night Lights"
"Justified"
"Mad Men"   #3
"The Good Wife"  #2
"Treme"

"Breaking Bad" melhora mais a cada temporada que passa. A sua quarta temporada foi tão ou mais genial que a sua antecessora, já de si brilhante, com um estilo, um ambiente e diálogo inconfundível, inequívoco e um confronto final épico. Uma série excepcional, explosiva, tempestuosa, onde a expressão "sem respeito às regras" se aplica completamente. Vince Gilligan tem monstruosas expectativas para domar quando este Verão a série regressar para concluir a história de Walter White, contudo penso que o criador não terá qualquer dificuldade em terminar a série em grande, com um final surpreendente e excitante, como já nos habituou. "Friday Night Lights" foi embora do pequeno ecrã de vez e um misto de tristeza e satisfação pela conclusão de uma das séries mais recompensadoras de seguir de sempre invade os nossos corações. "Always" foi o culminar perfeito de cinco anos em que habitamos Dillon, que nos mostrou Dillon cresceu em nós e nós crescemos com Dillon. "Clear eyes, full hearts, can't lose". "Justified" já era óptimo na sua primeira temporada, mas eleva o nível na segunda e, agora, na terceira temporada. Falemos da segunda que foi a que esteve para consideração nestes prémios, aquela que contou com a soberba Margo Martindale a dar luta, com Boyd e Dickie ao exausto Raylan Givens. Além da escrita fantástica e do fabuloso elenco de que dispõe - a maioria deles encaixa nos seus papéis como se fossem eles naturalmente - a série consegue impressionar porque se mantém única e igual a si mesma, proporcionando entretenimento de qualidade ao mesmo tempo que nos oferece, semana após semana, obras-primas de ficção em vez de meros episódios. "The Good Wife" exibe um nível de qualidade só visto em canais de cabo de excelência. A sobriedade e elegância com que desenvolve as suas histórias, o nível de complexidade narrativa e o talentoso elenco de que dispõe fazem de "The Good Wife" a série que mais admiração merece dos últimos tempos. Ainda para mais se contarmos que tem 10% da liberdade que o cabo dá a séries como "Breaking Bad", "Shameless" ou "Mad Men". Já que falamos dela... Disse de "Mad Men" em 2010: "bem sei que não se deve falar em perfeição porque normalmente esse é um objectivo inatingível, mas a terceira temporada de "Mad Men" foi, sem dúvida, perfeita". A quarta temporada mantém o nível da terceira. Uma série que mudou os nossos tempos ao explorar a vida nos anos 60, uma série inigualável no panorama televisivo e uma série de um calibre e magnitude tais que qualquer novo drama que estreie com raízes em épocas passadas é inevitavelmente comparado com esta besta de série que estreou recentemente a quinta temporada e mostra ter vida e pernas para durar muitos mais anos. Voltando ao que disse em 2010: "Esta vai ser uma série que vai ganhar o Emmy de Melhor Drama até ao dia em que decidir terminar". Mantenho a minha opinião. Falta falar de "Treme". Após revolucionar o mundo dos policiais televisivos com "The Wire", David Simon fez o mesmo com "Treme", ao dar voz e vida às pessoas de Nova Orleães no pós-Katrina e deixá-las contar a sua história. Quem vê "Treme" e via "The Wire" notará logo algumas semelhanças, principalmente a nível da ambição e da visão, das temáticas envolvidas (tal como em "The Wire", "Treme" também mistura sociologia, política, antropologia e religião, entre outros temas, num só episódio), do arrojado toque visual, do ambiente rico e variado em que somos inseridos e da enorme qualidade das histórias. "Treme" conta a verdade, nua e crua, através de um colorido leque de personagens que nos dão conforto (e música alegre, evocativa da região e um incrível complemento ao ambiente da série) quando a série tomba para o seu lado mais depressivo.


FINALISTAS: "Game of Thrones", "Southland", "Parenthood" e "Sons of Anarchy" ficaram perto destes seis finalistas mas, no fim de contas, não consegui ver lugar para nenhum destes quatro acima dos meus nomeados.

DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor - Drama


Vamos terminar hoje estes prémios, com as três categorias de Drama que faltam. Cá vão mais duas: MELHOR ACTOR e MELHOR ACTRIZ - DRAMA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.


MELHOR ACTRIZ - DRAMA



Connie Britton / FRIDAY NIGHT LIGHTS
Toni Collette / UNITED STATES OF TARA #3
Julianna Margulies / THE GOOD WIFE  #1
Elisabeth Moss / MAD MEN   #2
Katey Sagal / SONS OF ANARCHY
Anna Torv / FRINGE


Muito fácil explicar estas seis escolhas. Sempre admiti que não gosto de Anna Torv e mantenho a minha opinião. Só que é impossível fugir a nomeá-la pela última temporada de "Fringe", onde a actriz finalmente mostrou talento e versatilidade, interpretando três (quatro) papéis diferentes, todos com imensa qualidade e variedade. Katey Sagal nunca iria espantar tanto quando a sua história da violação da segunda temporada, mas o que ela fez na terceira e na quarta temporadas de "Sons of Anarchy" é mais que suficiente para voltar a ser nomeada nos meus prémios. Não podia deixar passar a oportunidade de nomear pela última vez Connie Britton, excelente em "Friday Night Lights". Kyle Chandler, que interpretava o seu marido na série, era de facto a interpretação mais vistosa, com maiores momentos de explosão, mas o que fica por dizer na expressão de Britton quando reage às diferentes situações com que se depara é de uma magistralidade ímpar. Uma enorme actriz. Toni Collette é nomeada este ano na categoria que merece, dada a mudança de tom da sua série, muito mais dramática e pouquíssimo cómica. Collette é uma enorme actriz, que alterna eximiamente a sua expressão frívola e impenetrável enquanto Bryce e a docilidade e infantilidade de Chicken, com todas as outras personalidades a aparecer ao mesmo tempo e a actriz sempre no controlo, mantendo uma distinta barreira entre cada uma delas e desenhando individualmente cada personagem muito bem. Uma obra-prima, este interpretação, que por vezes é muito subtil, outras muito exagerada, mas que funciona. Falemos agora de Julianna Margulies. Uma mestra da arte da representação, gigante na forma como comanda o ecrã mesmo quando a cena não lhe pertence, sábia na hora de escolher quando retrair as suas emoções e quando as soltar. Igualmente brilhante é Elisabeth Moss, uma digna vencida. Só pelo "The Suitcase" merecia mil prémios. Se tomarmos "Mad Men" como um jogo de xadrez, então Moss é o bispo para o rei que é Jon Hamm. Uma interpretação não subsiste sem a outra e é por isso que desde a primeira temporada vivemos para ver mais momentos entre Don e Peggy.


MELHOR ACTOR - DRAMA


Bryan Cranston / BREAKING BAD  #1
Kyle Chandler / FRIDAY NIGHT LIGHTS
Jon Hamm / MAD MEN  #2
Peter Krause / PARENTHOOD
Timothy Olyphant / JUSTIFIED   #3
Wendell Pierce / TREME


Que dizer destes seis senhores? Todos brilhantes, soberbos, sublimes. Chandler impressionou com a sua naturalidade e carisma em "Friday Night Lights" e aquele último discurso em "Always" é algo que nunca vou esquecer; Hamm e o seu Don Draper apareceram finalmente devastados e fragilizados em "Mad Men" a sucumbir perante a pressão do casamento, do trabalho e dos segredos que oculta; Krause é o estóico e silencioso herói de "Parenthood", com o seu Adam a ser pilar de toda a gente mas a precisar de alguém que sirva de pilar a ele próprio, prestes a desmoronar; não há já palavras para falar de Cranston em "Breaking Bad", de uma profundidade, virtuosidade e complexidade incríveis de um actor que encontrou em Walter White a performance de uma vida; Olyphant e o seu Raylan são de uma classe e magnetismo que não são deste planeta, o que só nos faz dar mais valor a esta interpretação, que não é parca em momentos de puro génio e inspiração; Pierce é poderoso e dá outra vida e agitação a "Treme" quando surge em cena. Para que se note o quão forte esta lista é, de fora ficaram Steve Buscemi ("Boardwalk Empire"), Michael C. Hall ("Dexter"), Holt McCallany ("Lights Out"), Charlie Hunnam ("Sons of Anarchy"), Andrew Lincoln ("The Walking Dead") e Sean Bean ("Game of Thrones").

The Hunger Links


Na senda de outros blogues e sítios, penso que vou começar a fazer uma recolha de notícias, artigos e especiais que ocorrem durante a semana e que, não tendo eu tempo para fazer um realce apropriado, vou cá juntar nesta rubrica semanal ocasional de links. 

Onze dicas de Billy Wilder, um dos maiores realizadores-argumentistas da história do cinema, para guionistas em aprendizagem. [Cinema Notebook]

O trailer do novo filme de Woody Allen, "To Rome with Love", soletra 'desastre' com todas as letras. Partes que aprovo: Judy Davis, Penelope Cruz, Alec Baldwin e Jesse Eisenberg como pai e filho. Partes que não aprovo: Roberto Benigni e sobretudo Ellen Page versão sexy (não sei onde Allen foi inventar isso). Enfim. Vou ver, mas o meu entusiasmo é reduzido.


Uma comparação muito interessante entre "The Hunger Games" e outro filme e não, não é  com "Battle Royale", é com "They Shoot Horses, Don't They?", um dos meus filmes favoritos de sempre, com uma Jane Fonda sensacional. [Acidemic]

Uma pergunta interessante posta ao pessoal pela Casa das Séries: que tipo de fã de séries somos nós? Relutantemente, eu admito que sou um fã incondicional, mas gostava de ser um fã racional. Enfim. [Casa das Séries]

Josh Hutcherson e Jennifer Lawrence são duas estrelas de cinema em crescimento, ouçam o que vos digo. 2020 vai ser dominado por eles.



Mais uma discussão muito frutífera via The Playlist: por que razão há falta de novos protagonistas masculinos de sucesso, os famosos "leading man", como Tom Cruise, Denzel Washington, Brad Pitt, George Clooney ou Johnny Depp? Precisam-se sugestões. [The Playlist]

"The Master", o novo filme de Paul Thomas Anderson, vai chegar aos cinemas em Outubro. Mal posso esperar. [The Playlist]

"Total Recall" vai ter um remake este ano, com o imensamente talentoso mas nem sempre respeitado Colin Farrell no papel que foi de Schwarzenegger. Não tenho visto grande entusiasmo pelos sítios de cinema onde circulo, mas o Keyzer Soze deixou-me algo intrigado. [Keyzer Soze's Place]

Já viram "The Intouchables", a comédia-drama francesa que estreou nos cinemas portugueses há um mês e tem feito sucesso pela Europa fora (a ponto de Omar Sy, o protagonista masculino, ter batido o vencedor do Óscar, Jean Dujardin, nos Césars - os 'Óscares franceses' - o ano passado?)


Entre os diversos comentários que Kate Winslet fez aquando da estreia a 3D de "Titanic" em Nova Iorque, o da música de Céline Dion lhe dar vómitos foi que mais ressoou na imprensa. Eu trago-vos outro, muito mais interessante a meu ver: Kate Winslet considera que a sua interpretação - nomeada para Óscar - foi absolutamente horrenda. Que poderia ser muito melhor. [Digital Spy]

Depois de vencer o Óscar com "El Secreto de Sus Ojos", Juan José Campanella dedica-se agora a "Foosball", um filme animado, que ganhou trailer esta semana. [The Playlist]

A Vulture oferece soluções para resolver a programação das estações generalistas norte-americanas, propondo inclusive soluções bastante polémicas como deitar abaixo o line-up de comédias de quinta-feira da NBC, um dos pontos pela qual a estação é conhecida desde o final dos anos 90. Gosto particularmente do que propõem à CBS para resolver o problema "The Good Wife". [Vulture]

Ryan Murphy e Brian Falchuk decidiram agora que a sua série "American Horror Story" ia mudar de cenários e personagens todas as temporadas. Não tardou para que a FX inventasse a mudança da série da categoria de Drama (onde competiu nos SAG e nos Globos de Ouro) para a categoria de Mini-Série. Podem dizer-me que a FX fez bem, dada a reestruturação da série. Eu só vejo nesta mudança uma coisa: querem caçar os prémios que "Downton Abbey" ganhou o ano passado. Ainda por cima porque este ano não há "Mildred Pierce", nem "Downton Abbey" (mudou para Drama), nem nenhum tubarão na categoria. [TV Line]

Foi anunciado também que Jimmy Kimmel, apresentador do "Late Show with Jimmy Kimmel" na ABC, que eu adoro (tem sketches brutais!), será o próximo apresentador dos Emmy Awards (que dão, obviamente, na ABC este ano) no dia 23 de Setembro. [TV Line]

O novo filme de Sarah Polley ("Away with Her"), "Take This Waltz", que conta com Michelle Williams e Seth Rogen nos principais papéis, ganhou um trailer recentemente. Cá está - e é tudo aquilo que poderíamos esperar de um filme de Polley com Williams a protagonista:


Também David Cronenberg decidiu presentear-nos com um teaser do seu próximo filme, "Cosmopolis", protagonizado por Robert Pattinson, que deverá competir em Cannes este Maio. Cá fica o teaser trailer:


Não consegui resistir a partilhar isto: Nicole Kidman fala de Ewan McGregor e da sua colaboração em "Moulin Rouge!", que é o filme do mês em discussão no sítio oficial da actriz [Nicole Kidman]

Das competições mais interessantes dos últimos tempos, esta da Vulture: "qual é o maior drama dos últimos 25 anos?" está a chegar ao fim e, claro está, tinham de ser estes dois os finalistas: "The Sopranos" vs "The Wire". [Vulture]

No The Film Experience, o Michael C. do Serious Film pede para pensarmos em quais são as citações cinematográficas dos últimos anos que se vão tornar citações clássicas, integradas na cultura popular das próximas gerações, tal como "Luke, I am your father" ou "I'll make them an offer they can't refure"? Uma sugestão com a qual concordo completamente é "Why so serious?". Também penso que "That's a bingo!" vai perdurar na memória. E também "Boo, you whore!". Quais seriam as vossas sugestões? [The Film Experience]

Kristin Wiig, Andy Samberg e Jason Sudeikis vão abandonar Saturday Night Live. FINALMENTE! Merecem bem melhor que aquele programa. [TV Line]

Para quem ainda está a começar a expandir a sua cinefilia, um bom local para começar é na lista de filmes que Martin Scorcese um dia recomendou a um estudante que lhe escreveu uma carta a perguntar quais os filmes que qualquer pessoa devia obrigatoriamente ver para ficar mais culto quanto ao que a sétima arte tem de melhor para oferecer. [Cinema's Challenge]

Alex Kurtzman e Roberto Orci ("Star Trek") escreveram (e Kurtzman realiza) o guião de "People Like Us", um dos guiões mais cobiçados da Black List dos últimos anos. O filme sai este ano, protagonizado por Elizabeth Banks, Michelle Pfeiffer e Chris Pine. Que vos parece o trailer? [The Film Experience]

A Vulture tenta explicar quais as razões para o fracasso de John Carter, que muito me custa, porque Andrew Stanton é dos meus realizadores favoritos em Hollywood e eu queria muito que ele tivesse sucesso na passagem da animação para live action. [Vulture]

Xavier Dolan ("Les Amours Imaginaires", "J'ai Tué Ma Mère") tem um novo filme, "Laurence Anyways", que ganhou um trailer recentemente. E cá está ele. Esperem sucesso semelhante aos seus dois antecessores, talvez também uma estreia em Cannes. [Ion Cinema]

Juntando-me à onda de insultos com que a blogosfera se insurgiu perante a nova 'proposta' de programa de cinema do canal Hollywood, acho inadmissível que jornalismo de tão pouca qualidade seja feito no nosso Portugal. É incrível como jornalistas ainda se sintam à vontade para dizer barbaridades como "Como não temos oportunidade para ver os filmes de que vamos falar, baseamos toda a nossa pesquisa nos trailers que já saíram e nas informações existentes na Internet". Enfim. Deixo-vos com comentários tecidos pelo Sound+Vision e pelo TVDependente, que expressam a raiva do pessoal bem melhor que eu. [Sound+Vision] e [TV Dependente]

 O pessoal tem que parar de tentar fazer Chloe Moretz acontecer. A última deste pessoal é o remake de "Carrie". A Chloe Moretz é totalmente errada para o papel. E além disso: para quê mexer na perfeição que é o filme de DePalma? Loucos. [Split Screen]

Adam Sandler limpa os Razzies: 10 vitórias em 10 nomeações. Lindo. [Split Screen]

EASTER PARADE (1948)



Nos anos 40 e 50, os musicais eram um dos géneros cinematográficos mais populares e mais requisitados juntos dos grandes estúdios. Muitas grandes estrelas desse tempo entraram ou fizeram carreira em musicais e foram estes que imortalizaram estrelas de cinema tão grandes como Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire ou Ginger Rogers. Infelizmente, quantidade não equivale a qualidade e por cada dez musicais produzidos nessa época, um ou dois tinham sucesso, invariavelmente aqueles que tinham uma boa história ou, melhor que isso, onde entravam as maiores estrelas de cinema musical de então. Como este "EASTER PARADE", um musical muito divertido e alegre, com números musicais agradáveis e luminosos engrandecidos pela presença da parelha Garland e Astaire que infelizmente não almejam a mais que um bom filme graças à falta de originalidade e fraqueza da narrativa.


Hoje em dia, é engraçado pensar que este par esteve para não acontecer. Gene Kelly era o escolhido para protagonista masculino, mas devido a uma perna partida, teve que ser substituído. O próprio propôs Fred Astaire que, apesar de aparentemente reformado na altura, abraçou a oportunidade de trabalhar com Judy Garland. Ele não o sabia então, mas foi este filme que lhe reacendeu a carreira, dando-lhe mais dez anos de ouro com a MGM. Judy Garland foi sempre a única escolha para o papel feminino, mas ela vinha de uma experiência profissional complicada com o seu marido Vicente Minnelli (filmaram juntos "The Pirates" um ano antes) que o obrigou mesmo a passar a realização deste filme, que era para ser realizado por si também, para Charles Walters. Além disso, os problemas de Garland com a depressão, o excesso de trabalho, o alcoolismo e o abuso medicamentoso - que culminaram numa tentativa falhada de suicídio - estavam a tomar o melhor dela. Ela mal recuperou para filmar "Easter Parade", tendo que ser internada numa clínica de reabilitação logo depois. Desde essa altura que Garland nunca mais se recompôs e "Easter Parade" tornou-se não só o seu último filme com a MGM como também um dos seus últimos filmes de sempre. Também Ann Miller teve sorte, porque o seu papel era originalmente de Cyd Charisse. Entretanto, a actriz torceu um ligamento e foi obrigada a ser trocada. O casting de Miller provou ser um sucesso, uma vez que a actriz é o ponto alto da película.


"EASTER PARADE" narra a história de Don Hewes (Fred Astaire), um dançarino de excelência que, em conjunto com a formosa e talentosa Nadine Hale (Ann Miller), forma o duo "Hale & Hewes". Quando Hale o troca pela chance de ter o seu próprio espectáculo no Ziegfeld Follies, num misto de raiva e bebedeira, Hewes escolhe à sorte a sua próxima parceira de entre as dançarinas do bar que frequenta. A escolhida foi a cintilante Hannah Brown (Judy Garland), que se revela um óptimo complemento - e também um belo sarilho - para o 'comandante' Hewes. Embora a sua parceria no início deixe muito à imaginação, aos poucos e poucos os dois entendem-se e com o tempo ganham bastante sucesso. O que fica por contar é que ao mesmo tempo que a sua parceria profissional floresce, também os sentimentos que nutrem um pelo outro crescem, mas ambos recusam teimosamente dizer o que sentem.

 
É esta a simplista história de "Easter Parade", que pega nos habituais clichés de filmes como "A Star is Born" - rapariga simpática tornada estrela por homem mais experiente - e nos lugares comuns das comédias românticas - Hannah (a rapariga boa) gosta do Don; o Don gosta da Nadine (a rapariga má que o rejeita e o humilha); Nadine gosta de Jonathan; o Jonathan gosta da Hannah - e cria um twist final para fazer avançar a história, levando os dois parceiros a desvendar o que sentem um pelo outro.


Com uma banda sonora do Oscarizado Irving Berlin, que compôs novas canções para este filme e uma fotografia impressionante do veterano Harry Stradling, Jr. (o mesmo que filmou "A Streetcar Named Desire", "Funny Girl", "My Fair Lady", "Gypsy" e muitos outros títulos), "EASTER PARADE" é, mesmo com as suas falhas (e são muitas, especialmente no argumento horrendo de Hackett e Goodrich, reescrito por Sheldon), um dos musicais mais infecciosamente alegres e entretidos que já vi e qualquer cena com Garland e Astaire é incandescente e colorida. Os seus passos de dança são verdadeiramente espectaculares (como no número "Drum Crazy") e a voz cheia de alma e vida dela é, como sempre, fenomenal.



Ann Miller está óptima também, sendo a grande revelação do filme. Um dos problemas que tive com o filme foi mesmo o de não perceber como alguém trocaria - que Deus me perdoe, mas é verdade - Miller por Garland. À pessoa que faz 'aquilo' em "Shaking the Blues Away" eu dava tudo, mesmo que me tratasse mal e humilhasse, para vocês verem o quão extraordinária é Miller nas suas poucas cenas.



Apesar de ser uma pena, de facto, ter ficado a pensar que o filme poderia ter sido bem melhor, algo mesmo muito especial, não nos podemos queixar. Afinal, como pode alguém queixar-se quando passa duas horas na companhia inolvidável de Astaire, Miller e Garland? Não podemos, como é óbvio.



Nota:
B

Informação Adicional:
Realização: Charles Walters
Argumento: Sidney Sheldon, Frances Goodrich, Albert Hackett
Elenco: Judy Garland, Fred Astaire, Ann Miller, Peter Lawford
Fotografia: Harry Stradling, Jr.
Música: Irving Berlin e Conrad Salinger
Ano: 1948



Hit Me With Your Best Shot: EASTER PARADE (1948)

Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Fazemos sempre um duplo artigo, bilingue, com a versão inglesa em primeiro lugar e a tradução no português logo de seguida. Não pudemos participar nas duas primeiras sessões da terceira temporada, mas para esta semana estamos a postos e o filme em discussão é... EASTER PARADE (Walters, 1948), o último musical de Judy Garland na sua imortal casa, a MGM.



During the 1940s and 1950s, the musical genre was one of the most popular and on-demand kind of pictures that Hollywood could produce. Many great stars of that era got a start or an upwards push from appearing in one of these musicals and those were the movies that immortalized outstanding actors and actresses such as Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire or Ginger Rogers. Unfortunately, given the immense quantity of musicals produced each year, back in the day, only a few of them found moderate success. Usually, the ones with these big stars would thrive. Such is the case of "EASTER PARADE", a musical with a slim and cliché'd narrative, with very little story to tell but one that is compensated by swoony and joyful song-and-dance numbers that survive because of the excellent pairing of Judy Garland and Fred Astaire.

It's fun to look back and remember that this pairing almost didn't happen. Gene Kelly was the actor first cast in the male lead role. However, a broken leg pave way to Fred Astaire, nominally retired at the time. He didn't know it then, but this musical would reignite his career at MGM. Judy Garland was the first and only choice to star in the movie, but her struggle with overwork, depression, alcoholism and addiction to prescription drugs - which led to an unsuccessful suicide attempt the year before - were destroying her. She barely recovered to film "Easter Parade", which would end up being her last film with MGM and one of the last movies of her career. Even Ann Miller got lucky, because her part was to be played by Cyd Charisse. Nevertheless, the actress tore a ligament on the rehearsals and had to be replaced. Miller's casting proved to be tremendously spot-on, as she is the true highlight of the movie.


"EASTER PARADE" tells the story of Don Hewes (Fred Astaire), a theatre performer known for his extraordinary song-and-dance numbers alongside Nadine Hale (Ann Miller), who form the famous duo "Hale & Hewes". When Hale leaves to star in her own show in the Ziegfeld Follies, Hewes, in a spur of anger and drunkness, picks one of the dancers performing at a bar to be his next partner. The girl turns out to be the fantastic Hannah Brown (Judy Garland) and although their partnership in the beginning leaves much to be desired, after a while they start to become a huge hit. Moreover, despite loving each other, Hannah and Hewes try to maintain their relationship strictly professional. This is the simplistic plot behind "Easter Parade". It's a very straightforward story - Hannah loves Don; Don loves Nadine; Nadine loves Jonathan (Peter Lawford); Jonathan loves Hannah - until the story twists and the two big movie stars finally discover their true feelings for one another.

With old and new songs by Oscar winner Irving Berlin, "EASTER PARADE" is, even with all its flaws (its screenplay by Hackett and Goodrich, rewritten by Sheldon, is horrendous), one of the most entertaining, cheerful musicals I've seen and every scene with Garland and Astaire is bright and colourful. His dance moves are really spectacular (as exemplified in the "Drum Crazy" number) and her vibrato, soulful voice is always amazing ("Better Luck Next Time", y'all! Love it). Ann Miller was, for me, the true revelation from the movie. One of the issues I had with the movie was how someone could turn down this person who sings and dances beautifully (besides looking pretty as hell) in "Shaking the Blues Away" and prefer Judy Garland (and I love Judy Garland), so I have to ask: am I crazy to think this, especially given how badly Nadine treated Don? Probably. But Miller was nothing short of brilliant in her few scenes. 


 
A Diva is a Diva, even in 1912.

It's sad that the movie is not more original; however, how can one complain when he's being entertained by Garland, Miller and Astaire's singing and dancing moves? One cannot, obviously. 


As for Best Shot... 

I had a hard time picking one single moment as it's not a very memorable movie. But seriously, how can you deny Judy Garland for this SINGLE MOMENT OF AWESOMENESS?


Also, there's this:


And this:


You're such a genius, woman!


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