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DIAL P FOR POPCORN

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Personagens do Cinema - Annie Hall


Dei por mim a pensar que raramente escolho mulheres para fazerem parte desta rubrica. E que a grande parte das escolhidas até este mês (senão todas) foram da exclusiva autoria do Jorge. Por isso, este mês escolho uma mulher. E confesso-vos que a escolha foi difícil. Basta olhar para os melhores filmes do site IMDB.COM (que muitos "críticos" gostam de desprestigiar) e facilmente se percebe a enorme representatividade do sexo masculino no protagonismo desses filmes. É um facto. Por isso demorei-me na escolha. Fácil, seria pegar numa interpretação da Meryl Streep. Mas como já foi bastante dissecada na Maratona Meryl Streep que o Jorge fez no blogue há uns meses, optei por elogiar Woody Allen através daquela que foi a maior musa de toda a sua carreira, num dos mais aclamados e adorados romances da história.


Diane Keaton, em início de carreira, personificou a mulher que fez perder o juízo de um Woody Allen que se confundiu com o comediante Alvy Singer (personagem que encarna neste filme), um homem maduro, divorciado, com uma personalidade complexa (neurótico, obsessivo, impaciente, impulsivo). Todo o filme é marcado pela evolução de uma relação difícil, que se torna difícil pelas constante turbulências que os dois criam, que consomem o coração de Woody Allen. Annie é jovem, livre e com uma personalidade forte. É a típica jovem que, nos anos 70, caminha na dúbia fronteira entre o tradicionalismo e a irreverência. Sabe o que quer e sabe quem procura. E é delicioso todo o texto que se constrói, todas as ideias que se partilham e a forma como Woody Allen transforma uma mulher num marco, e a imortaliza pela sua escrita e pela forma única como nos fala de amor.

Oscars 2012 - Um breve comentário.



Ao contrário do ano passado, desta vez não estive com paciência para acompanhar a cerimónia. Estou farto do exibicionismo e da histeria do povo americano. No entanto, gosto sempre de dizer algo sobre aquilo que realmente interessa: os vencedores.


Nas minhas categorias favoritas (Melhor Documentário e Melhor Filme Estrangeiro), ainda não consegui ver nenhum dos nomeados deste ano. São duas categorias mais secundárias e por isso menos sujeitas às pressões externas. É onde a Academia mais vezes acerta. Quanto ao Melhor Filme estou contente. Se tivesse que escolher outro vencedor, entregaria de barato a vitória aos Descendentes, filme que me encantou este ano. No Melhor Actor, justo. Melhor Actriz, sem espinhas. Meryl Streep foi a melhor interpretação que vi, até agora, do Ano 2011.


Mas a minha grande alegria da noite vai para a estatueta que foi entregue a Christopher Plummer. Felizmente que se fez justiça. Uma interpretação enorme, num filme completamente apaixonante (muito provavelmente, o meu favorito de 2011). Nota ainda para o prémio de Melhor Realizador, que gostaria que tivesse sido entregue a Alexander Payne (a forma como provou que o melodrama nos pode surpreender foi mesmo cativante) e para O Melhor Argumento Original, que não esqueceu o brilhantismo de Woody Allen.


P.S. - Tanta euforia à volta do que fez Sasha Baron Cohen é a prova de que o formato dos Oscars deve continuar assim por muitos anos. Ser palhaço dá os seus frutos. E não é só em Portugal.

Tudo o que tenho a dizer da cerimónia dos Óscares 2012...


É só e apenas isto. Mesmo eu preferindo que ganhasse Viola Davis, não posso deixar de ficar extasiado com a vitória da mulher mais admirada do mundo. 

[Fonte: IMDb]


Meryl, és única. És grande. Finalmente aí tens o terceiro. E, tal como em 1983, estavas de dourado e de braço dado com o Don. Já estava destinado.


Amanhã volto com uma apreciação mais a fundo da cerimónia, de Billy Crystal e dos vencedores e vencidos. A ver se encerramos a temporada de 2011-2012 em grande. É que os filmes do novo ano já estão aí à porta.

Óscares 2012 - Vencedores (e Previsões)




Estamos a poucas horas do início de mais uma cerimónia dos Óscares. Este ano não há liveblog aqui no Dial P For Popcorn, podendo acompanhar a nossa opinião na nossa conta do Twitter. Para já, deixo-vos com as minhas previsões dos vencedores (aviso já que não sou fonte consistente para aqueles que gostam de fazer apostas, porque tanto tenho um ano de muito acerto como erro muito; sou um verdadeiro guru iô-iô). Se estiverem interessados na ordem pela qual os prémios são distribuídos, podem consultá-lo AQUI.

Vou acabar por ter uma noite bastante satisfatória, porque pela primeira vez em muito tempo não estou de costas voltadas com o vencedor de Melhor Filme (não acho que “The Artist” seja o melhor dos nomeados, mas, no fim de contas, o meu favorito – “Moneyball” – nunca foi realisticamente previsto como vencedor, daí que aprecio a vitória da bela película a preto e branco), qualquer uma que vença Melhor Actriz me vai deixar contente (seja ela Meryl Streep, Viola Davis ou Michelle Williams) e vou adorar o discurso de Melhor Actor, seja ele proferido por Dujardin, Clooney ou Pitt.

Decidi arriscar um pouco nalgumas categorias, porque afinal, qual é a piada de prever os Óscares se não apostarmos nalgumas decisões polémicas? Na de Argumento Original, porque acho que o estatuto de favorito de “The Artist” permite, tal como a “The King’s Speech” ou “The Hurt Locker” em anos passados, bater a escolha consensual dos prémios dos críticos, Globos e afins. Ainda assim, não consigo perceber como é que os votantes conseguem resistir a votar em Woody Allen pelo seu melhor filme em anos.

Em Guarda-Roupa, a corrida a cinco está a tornar difícil perceber qual o vencedor. “The Artist” poderá facilmente sair vencedor aqui, sendo o favorito a ganhar Melhor Filme, mas “Jane Eyre” é a escolha sensata da categoria. Cuidado ainda com Sandy Powell (“Hugo”) que pode muito bem também triunfar, ou “Anonymous”, porque não há coisa que esta categoria ame mais que realeza.

Em Edição apostei em “The Artist” também porque é o favorito para Melhor Filme e nesta categoria, mais do que todas as outras, o vencedor leva quase sempre os dois prémios. Contudo, não esquecer que defronta Thelma Schoonmaker (“Hugo”), uma das pessoas mais queridas pela indústria cinematográfica.

Filme Estrangeiro é outra categoria difícil de prever. "A Separation" é sem dúvida um enorme filme, mas nesta categoria muitas vezes a qualidade - e mesmo a quantidade de prémios vencida - pouco significa. E depois nos nomeados temos um filme polaco sobre o Holocausto, que tresanda a Óscar. Não sei. Aposto no seguro ("A Separation") mas temo que o pior possa acontecer.

As categorias de Som, finalmente, parecem ter sempre tendência para não irem ambas para o mesmo filme. Prevejo uma divisão entre "Hugo" e "War Horse", mas não sei quem fica com qual. Se "Hugo" for verdadeiramente adorado, ganha as duas. Não sei que decidir aqui. Vou com o meu instinto.


Acerto nas previsões: 15 | 24 (63%) sem alternativas, 23 | 24 (96%) com alternativas

Melhor Filme
“The Artist”

Melhor Realizador
Michel Hazanavicius, “The Artist”

Melhor Actor
Jean Dujardin, “The Artist”

Melhor Actriz
Viola Davis, “The Help”
Meryl Streep, “The Iron Lady”

Melhor Actor Secundário
Christopher Plummer, “Beginners”

Melhor Actriz Secundária
Octavia Spencer, “The Help”

Melhor Argumento Original
“The Artist”
“Midnight in Paris”

Melhor Argumento Adaptado
“The Descendants”

Melhor Fotografia
Robert Richardson, “Hugo”

Melhor Direcção Artística
“Hugo”

Melhor Maquilhagem
“The Iron Lady”

Melhor Guarda-Roupa
“Jane Eyre”
“The Artist”

Melhor Edição
“The Artist”
(“Hugo”)
"The Girl with the Dragon Tattoo"

Melhor Banda Sonora Original
“The Artist”

Melhor Canção Original
“Man or Muppet” – “The Muppets”

Melhor Edição de Som
“Hugo”

Melhor Mistura de Som
“War Horse”
“Hugo”

Melhores Efeitos Visuais
“Rise of the Planet of the Apes”
“Hugo”

Melhor Filme Animado
“Rango”

Melhor Documentário
“Hell and Back Again”
“Undefeated”

Melhor Filme Estrangeiro
“A Separation”

Melhor Curta-Metragem, Documental
“Saving Face”

Melhor Curta-Metragem, Animação
“A Morning Stroll”
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”

Melhor Curta-Metragem
“Tuba Atlantic”
“The Shore”


HUGO (2011)



Provavelmente não estava com a melhor das disposições quando vi este filme. Hugo não é um mau filme. Mas também não me empolgou. É uma história bonita, óptima para mostrar às crianças, mas acho que, para mim, fica por aí. Não está no melhor que vi este ano e fiquei um pouco desiludido. No combate directo com o Artista, para os prémios finais da Academia, fica claramente atrás. E é também facilmente ultrapassado pelo óptimo The Descendants.


Hugo (Asa Butterfield) é uma criança orfã que vive sozinho numa estação da Paris da década de 30, dividindo o seu dia-a-dia entre os vários relógios que mantém a funcionar irrepreensivelmente e a procura de materiais para concertar uma misteriosa máquina (com uma peculiar forma humana) que lhe foi oferecida pelo seu pai, pouco tempo antes da sua morte. Hugo trabalha pela paixão que tem pelas máquinas, característica que herdou do seu pai, e com o objectivo de descobrir qual a mensagem que a mesma esconde. Um dos locais que frequenta com regularidade na "sua estação", é a loja relógios e raridades de Georges Méliès (Ben Kingsley), onde sorrateiramente vai roubando algumas peças importantes para a reconstrução da sua máquina. Até que um dia é apanhado em flagrante por Georges que se vinga confiscando-lhe o precioso caderno mágico onde Hugo apontara todas as alterações necessárias para o funcionamento das suas máquinas.


Decidido em recuperar o seu caderno, Hugo segue Georges até casa e acaba por conhecer Isabelle (Chloë Grace Moretz), uma jovem curiosa e perspicaz que vive sob a tutela de Georges e que rapidamente se transforma na sua grande companheira de aventuras. Juntos exploram todos os recantos da estação e a sua curiosidade leva-os a descobrir um fantástico segredo, que para sempre irá mudar as suas vidas e a daqueles que os rodeiam.


Nota Final:
B-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Martin Scorsese
Argumento: John Logan (screenplay), Brian Selznick (book)
Ano: 2011
Duração: 126 minutos.

Círculo de Críticos Online Portugueses em funcionamento




Entrou em funções no passado dia 15 de Fevereiro o Círculo de Críticos Online Portugueses, uma ideia implementada em Portugal pelo criador do blogue Split Screen, Tiago Ramos, com base no original brasileiro (a Liga dos Blogues Cinematográficos, no qual ele também participa). 

Dos membros fundadores deste grupo fazem parte nomes incontornáveis da nossa blogosfera, contando com - além do já mencionado Tiago Ramos - o Pedro Ponte e o Gonçalo Trindade (Ante-Cinema), o Nuno Reis (Antestreia), o Samuel Andrade (Keyzer Soze's Place), a Catarina D'Oliveira (Close-Up), a Inês Moreira Santos (Espalha Factos), o João Pinto (Portal Cinema), o Miguel Ferreira (A Última Sessão) e os vossos dois co-criadores aqui do Dial P For Popcorn.

O objectivo do projecto, nas palavras do seu fundador-mor: "O Círculo de Críticos Online Portugueses (CCOP) é um grupo seleccionado de críticos online de cinema portugueses, cuja acção se centra essencialmente na classificação dos filmes estreados mensalmente nas salas de cinema portuguesas, de forma a produzir um conjunto de tops mensais, com oportunos dados estatísticos. O CCOP poderá dedicar-se ainda à elaboração de tops de temáticas especiais (décadas, realizadores, géneros) e um prémio anual (cujo nome será posteriormente definido) dedicado aos melhores filmes do ano. Este projecto nasceu em colaboração com o projecto, de origem brasileira, Liga dos Blogues Cinematográficos."

Para já, podem consultar o primeiro top mensal, que diz respeito ao passado mês de Janeiro, AQUI.

REALIZADORES: METROPOLIS (1927)



Regressa este mês a minha recente aposta de crónicas mensais. Esteve ausente nos últimos dois meses, por diversos motivos que atrasaram também a actualização do blogue, mas a partir de agora espero conseguir realizar a crónica com a pontualidade com que actualizo as restantes crónicas mensais. Pensei em repetir o realizador da crónica anterior, mas preferi variar o leque de estrelas que por aqui vão passar ao longo dos próximos meses. Depois de me apaixonar pelo M, resolvi que Fritz Lang deveria estar entre nós o mais rapidamente possível. Escolhi então um dos seus mais conceituados filmes, Metropolis. A obra de um visionário, de um homem que viveu à frente do seu tempo e que percebeu, com uma astúcia fabulosa, aqueles que seriam um verdadeiros problemas da sociedade moderna, da civilização do Século XXI.


Metropolis é uma cidade futurista. Aquilo que Fritz Lang e Thea von Harbou idealizaram como o futuro. E neste futuro, o povo trabalha, escravizado, para sustentar o ócio e os caprichos de uma minoria escolhida por sangue e linhagem. Sem direito a verem a luz do dia, trabalhando arduamente nas profundezas da terra, o povo cumpre ordens e vive uma existência triste, cinzenta e desgraçada. Tudo muda quando Freder (Gustav Fröhlich), filho de Joh Fredersen, o abastado dono da Metropolis, conhece a realidade que durante toda a sua vida lhe foi escondida e ludibriada pelo pai: os homens, mulheres e crianças, as vidas que, no submundo, trabalham até à exaustão, para que o mundo soberano possa estar feliz, possa gozar os bons prazeres da vida e aproveitar as regalias do seu estatuto.


Decidido a mudar o curso da história, a quebrar as barreiras que separam os privilegiados dos condenados, Metropolis faz-nos uma viagem à essência do ser humano. Aos limites da ganância e da luta pelo poder. E faz-nos reflectir, tal como M fez, nas enormes potencialidades de Fritz Lang. Faz-nos recordar que em 1927, quando ainda não existia som no cinema, quando o mundo vivia a ressaca de uma Grande Guerra, um homem conseguiu não só pensar como projectar e criar um mundo futurista, que serviu de base para inúmeros filmes que o sucederam. Um realizador capaz de pensar no Homem como um ser imutável, que sempre será tentado pelo pecado e pela ganância, que faz sofrer sem piedade e que cobra sem perdão. Ver Metropolis não é ver a década de 20. É ver a história do Homem e da Humanidade.


Nota Final:
A



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Fritz Lang
Argumento: Thea von Harbou
Ano: 1927
Duração: 153 minutos

DAFA 2011: Cinema e Televisão


Dentro de dias pretendo começar as minhas premiações de cinema e televisão para o ano de 2011. Tenho filmes que lamento não ter visto, infelizmente (entre eles "Alps", "Shame", "Weekend", "Margaret", "Pariah", entre outros), filmes que ainda pretendo ver ("Hugo" e "Le Havre", por exemplo) e filmes que não quero, pura e simplesmente, ver (como o novo "Transformers" ou o mais recente "Twilight"). Este ano, juntarei aos prémios de cinema os prémios de televisão, nos moldes do que havia feito em 2010 (não sei se terei tempo para uma crítica extensiva de todas as séries que acompanhei no ano transacto; esperemos que sim mas não prometo nada).

Espero que do meu certame de filmes premiados surjam várias sugestões para leitores que não têm podido acompanhar a cobertura (pobre, ainda assim) da corrida aos Óscares deste ano e, acima de tudo, vou tentar ao máximo nomear e falar de filmes mais desconhecidos, alguns destes estrangeiros, que desta forma possam ganham maior audiência. Eles bem merecem. Espero também conseguir cativar a vossa atenção para algumas séries de inegável qualidade que são mais desconhecidas cá pelo território português.

Com isto quero então pedir: há algum filme (ou série) que pensam que eu tenho que ver antes de compilar os meus prémios? Alguma sugestão que me queiram fazer?

Há um ano, os premiados foram estes - AQUI. Se têm interesse em espreitar todos os nomeados, é só clicarem neste link AQUI que vos levará ao separador dos Dial A For Awards de 2010, de onde "The Social Network" saiu vencedor, com cinco vitórias.




 - Os principais vencedores dos DAFA 2010 -

E este ano? Quem acreditam que vai sair vencedor?

MY WEEK WITH MARILYN (2011)




Little girls shouldn't be told how pretty they are. They should grow up knowing how much their mother loves them.


A 15 de Janeiro de 2012, precisamente cinquenta anos depois, o nome de Marilyn Monroe volta a ser mencionado numa cerimónia de entrega de prémios. Michelle Williams vence a categoria de Melhor Actriz - Comédia/Musical pela sua interpretação como Marilyn Monroe em "MY WEEK WITH MARILYN", relembrando - e bem - no seu discurso que vencera o prémio que o astro que interpretou havia vencido também (aliás, o único prémio que a indústria cinematográfica lhe conferiria) em 1960, por "Some Like It Hot". O que é, para mim, mais peculiar é que Michelle Williams tenha vencido o troféu cinquenta anos depois da última aparição ao vivo de Marilyn Monroe, que recebeu o Globo de Ouro para Melhor Estrela Feminina do Cinema, um prémio nos dias de hoje extinto. Monroe viria, de forma infame, a falecer cinco meses depois, em Agosto de 1962. Tinha 36 anos. Não conseguiria imaginar uma forma mais bonita de Monroe ser homenageada do que esta, se bem que acredito que tenha sido acidental.


Voltando ao filme. Foi dito que ninguém conseguiu, consegue ou conseguirá encarnar Marilyn Monroe. É, de facto, uma tarefa hercúlea, efectuar o malabarismo entre a doçura, a sensualidade, a graciosidade, a ingenuidade, o brilho, o talento e a beleza, todas as qualidades que compunham Marilyn Monroe. Ninguém será mais bonito que ela, ninguém alguma vez será mais sensual. Não há no cinema outra como ela - e nunca mais irá haver. Marilyn Monroe surgiu e pereceu como um astro cintilante, um cometa que nos veio iluminar esta Terra por um muito curto espaço de tempo. Com o seu falecimento, o mito permaneceu. Contudo, o que é de valorizar em Marilyn Monroe - e que muito poucos, no seu tempo ou mesmo contemporaneamente, se lembram - é que Monroe era uma representação, um último acto da peça que narrava a vida de uma jovem, Norma Jean, que se entretinha a fingir que era outra pessoa, esta Marilyn Monroe, uma deusa do amor e da sexualidade, que por sua vez decidiu entreter-se a fingir que era uma talentosa actriz, capaz de desaparecer no papel quando a personagem era certa. Assim, retratá-la torna-se impossível. Ou quase. Porque aqui se introduz na equação Michelle Williams, uma das maiores (quiçá a maior) actriz da sua geração, uma mestra na incorporação dos papéis que aceita, um verdadeiro camaleão que habita o íntimo das suas personagens e as faz brilhar. E, tal como a original, a sua Marilyn Monroe brilha. Aliás, ela cega com o seu brilho. Williams pode não ter o andar correcto, pode não ter as formas corporais exactamente iguais, mas a sua Marilyn é indubitavelmente tão ou mais carismática e impressionante quanto a original. A sua interpretação não parece nem um pouco forçada. Claro que ajuda que Williams esteja na verdade a mostrar-nos não como Marilyn era mas a forma como o seu mito é projectado nas nossas mentes nos dias de hoje; ela mostra-nos, essencialmente, como Colin Clark a via (e, por consequência, como a grande maioria de nós a vê, com uma presença tão forte, charmosa e constante que é não dá para nos rendermos a ela). É por isto também que a abordagem de Williams aos momentos de insegurança, de raiva, de angústia de Marilyn Monroe são tão poderosos. Desumanizando a personagem nos momentos mais icónicos, mas cobrindo-a de uma fragilidade e sensibilidade muito palpáveis nos momentos em que ela se encontra mais só, Williams mostra-nos que finalmente chegou a um patamar de excelência só ao nível das maiores actrizes de sempre, como Meryl Streep, Katharine Hepburn, Bette Davis ou Ingrid Bergman.



Para nossa infelicidade, é uma pena que o filme não perdure tão bem na memória quanto a interpretação da sua protagonista. Tal como a própria Marilyn Monroe, "MY WEEK WITH MARILYN" não sabe muito bem o que quer, alternando entre o inconsequente melodrama, a comédia leve e o romance histórico, sem qualquer rumo e fio narrativo, conferindo muito pouco background às personagens para podermos expressar qualquer emoção acerca do que lhes acontece. O filme é baseado no livro de memórias de Colin Clark (Eddie Redmayne, um actor a quem reconheço talento mas que me incomoda solenemente, aqui traído pela parca profundidade que a sua personagem tem), que trabalhou como assistente de produção para "The Prince and the Showgirl", um filme realizado e protagonizado por Sir Lawrence Olivier (Kenneth Branagh, num casting óbvio mas que resulta na perfeição) e para o qual convidou, sem dúvida para trazer mais reconhecimento à produção, Marilyn Monroe (Williams) para ser sua co-protagonista, um filme que assim juntaria a mais famosa estrela de cinema do mundo e aquele que era reconhecido como o maior actor de então.

O filme, famigerado por imensos problemas de produção, ficou também famoso pela dificuldade de entendimento entre Olivier e Monroe, ora porque o primeiro não entendia o propósito do Método - Monroe, quando se apresentava no set, era acompanhada pela sua professora de representação, Paula Strasberg (Zoe Wanamaker), esposa do inventor do Método, que constantemente alterava ordens dadas por Olivier - ora porque Monroe não era, digamos, a maior profissional. Entre inúmeros ataques de raiva, sessões de choro, indisposições e fugas, Monroe enfureceu Olivier a ponto de este querer cancelar a rodagem do filme. Por entre as gravações, vamos sendo dados a conhecer mais e mais sobre quem era esta famosa mulher que tinha o mundo aos pés e vamos percebendo que a vida galante dela não correspondia bem ao que ela esperava. O elenco inclui ainda Julia Ormond no papel de Vivien Leigh (pouquíssimo impressionante, ainda para mais se tivermos em conta o quão fascinante era a original Leigh), Judi Dench como Sybil Thorndike (nada a acrescentar sobre o papel, tão pouco marcante que é) e Emma Watson como uma costureira por quem Colin sente grande afecto.



Apesar das muitas falhas e problemas que a película de Simon Curtis tem, chegamos a um ponto em que falar de "MY WEEK WITH MARILYN" é falar de Kenneth Branagh e Michelle Williams. Se desta última já falámos imenso, há que discutir os méritos do primeiro. Uma interpretação notável de Branagh, que apesar de não ter o estóico aspecto de Olivier compensa pela vitalidade e voluptuosidade que confere à personagem, copiando a voz cortante e ríspida, conseguindo ao mesmo tempo reter a elegância e o ar irresistível do original, personificando sem mácula o desespero e esgotamento de um homem - só por acaso a maior lenda do cinema britânico - testado por uma novata ainda por deixar a sua marca no mundo do cinema e, pior do que isso, imune ao seu charme. Soberbo. Olivier, claro, detestaria esta representação. Duas nomeações aos Óscares bastante merecidas e, na verdade, o prémio merecido para este filme, que pouco mais almejava. Não apresenta nada de novo sobre o ícone, mantendo apenas viva a ideia do mito de Monroe. Há que lhe agradecer por mais uma grandiosa interpretação de Williams. E isso, para mim, já é mais que suficiente.




Nota Final:
C+

Informação Adicional:
Ano: 2011
Realização: Simon Curtis
Argumento: Adrian Hodges
Elenco: Michelle Williams, Kenneth Branagh, Eddie Redmayne, Judi Dench, Emma Watson, Julia Ormond, Toby Jones, Dougray Scott
Banda Sonora: Conrad Pope (e Alexandre Desplat - "Marilyn's Theme")
Fotografia: Ben Smithard

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